Em Manacapuru, professor é vítima de fraudes bancárias

 EM MANACAPURU, AM
PROFESSOR É VÍTIMA DE FRAUDES BANCÁRIAS


Por:Héliton Nogueira


Sempre cuidadoso e correto em seus negócios, o professor aposentado Napoleão Bonaparte¹
teve o nome e dados utilizados na prática de pelos menos duas fraudes bancárias. Antes,
porém, o fraudador “hackeou” a conta.gov da vítima, o que, provavelmente, facilitou o acesso
ás sua informações e a “clonagem” de seu documento de identidade civil, utilizado para alterar
os dados cadastrais no INSS, abrir conta, solicitar cartão de credito e fazer empréstimos
bancários.


IDENTIDADE CLONADA
O estelionatário, para as diversas práticas criminosas, falsificou grosseiramente o documento
de identidade do aposentado, demonstrável, a falsificação, através de simples comparação
entre o documento da vítima e o utilizado pelo estelionatário. No “documento” clonado, a foto
do falsário, com caraterísticas caucasianas, é completamente diferente da foto do aposentado no documento autentico.

 

AÇÃO DE QUADRILHA
Segundo um especialista em crimes cibernéticos ouvido pela reportagem, esse tipo de fraude,
em regra, é praticado por quadrilha “especializada” e não por falsário em ação solo. “O
indivíduo que aparece na fotografia do “documento” de identidade pode até não ser o líder da
quadrilha, mas, com certeza, tem um grau de participação relevante“, disse o especialista.
“Além disso”, concluiu ele, “esse tipo especifico de fraude tem a participação de servidores
públicos, no caso do setor de identificação civil, e de funcionários de banco ou financeiras a
seu serviço”. Napoleão, segundo o advogado² que lhe patrocina nas ações judiciais, deverá, em
breve, requerer à Policia Federal a abertura de investigação, pois uma das instituições
relacionadas às fraudes é um banco oficial. “O material e as informações angariadas em
investigação preliminar levadas a cabo pela própria vítima - e corroboradas pelos documentos
trazidos pelos bancos para as ações cíveis - contém elementos importantes para a
identificação do falsário ou da quadrilha”, disse o causídico.


AS FRAUDES
Uma das fraudes de que foi vítima o professor consistiu na abertura de conta corrente junto a
um banco virtual. O fato teria acontecido entre março e abril de 2022. O estelionatário, além
do registro de cadastro, solicitou cartão de credito, realizou compras e, como sempre acontece
nesses casos, não pagou as fatura. A vítima descobriu a falcatrua porque passou a receber
inúmeros telefonemas de cobrança. Então ela contestou perante a instituição financeira a
dívida, mas não obteve a solução do caso, pois o banco considerou que a abertura da conta e a
emissão de cartão obedeceram o protocolo institucional, o que obrigou o aposentado a
ingressar com ação judicial. Na Justiça, em face das evidencias, o banco admitiu a fraude, mas
atribuiu a culpa à vítima. O juiz, na sentença, rejeitou a tese de culpa da vítima e estabeleceu
que a responsabilidade do banco decorre do fato de que exerce atividade lucrativa e deve assumir os riscos dos danos provocados por sua atividade.

 


A outra fraude foi mais assustadora. O falsário, através do serviço virtual “meu INSS”, acessou
os dados cadastrais da vítima, alterou informações como endereço, e-mail e comprovante de
residências, e desbloqueou o benefício para inserção de empréstimo consignado. O benefício
estava bloqueado para empréstimo desde a semana seguinte à concessão, exatamente para,
segundo o aposentado, evitar fraudes, já que passou a sofrer intenso assédio, via telefone, por
parte de supostos bancos e financeiras. Após realizar as alterações, o estelionatário abriu
conta em um banco oficial e fez dois empréstimos, em intervalos de poucos dias, cada um no
valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), para desconto mensal em folha de pagamento de
benefício do INSS, com quitação prevista somente em 2028. Neste caso, apresentada
impugnação administrativa, o banco, em face das evidencias de fraude, acatou a reclamação,
anulando a abertura de conta e os empréstimos. Como até agora o banco ainda não solicitou
ao INSS a suspensão dos descontos, a vítima ingressou com ação judicial para reparação de
danos, com pedido de antecipação de tutela a fim de fazer cessar as indevidas subtrações de
seus proventos.
Pelos indícios levantados em investigação preliminar, o aposentado, nos dois casos, foi vítima
do mesmo falsário ou da mesma quadrilha de estelionatários.
________
¹ Nome é fictício para preservar a identidade da vítima, que prefere o anonimato.
² O nome do advogado foi omitido a pedido da vítima, que prefere discrição do caso enquanto as investigações não forem
concluídas.

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